sexta-feira, 17 de maio de 2013

TIRA 028

Tira 28 (22.08.2003)
A ironia utilizada neste texto pode ser difícil de perceber para quem nunca visitou o Alentejo durante o Verão.
Quando se deu conta, na imprensa, de um estudo que alertava para a possibilidade de a temperatura média no Alentejo baixar um ou dois graus, o Luís Afonso não perdeu a oportunidade e aproveitou para escrever este excelente diálogo.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

GALERIA DE PERSONAGENS (3) - O CÃO "FARRUSCO"

O Farrusco era para ser mais do que foi. A ideia era as tiras andarem à volta das peripécias do rebanho, onde o cão teria um papel importante, mas a minha deriva quase imediata para temas da actualidade (pela preguiça que já referi ou por inabilidade) roubou-lhe o protagonismo que talvez merecesse.
Luís Afonso

O Farrusco nunca foi como o Luís inicialmente imaginou, até mesmo fisicamente. Lembro-me de termos falado algumas vezes acerca disso, nas primeiras tiras que publicámos, e a verdade é que, até hoje, tenho a sensação que nunca consegui desenhar um cão parecido sequer ao que o Luís me tentava descrever. É notório que o Farrusco das primeiras tiras é diferente do Farrusco das outras tiras. Isso acontece porque tentei, em vão, aproximar-me do "modelo" em que o Luís pensou.
Carlos Rico    

sexta-feira, 3 de maio de 2013

RIBANHO NO TEATRO (1)

Aconteceu recentemente, durante o 18.º Salão Internacional de Banda Desenhada de Moura: o Grupo de Teatro "Al-Manijah" (de Moura) adaptou alguns dos textos de "RIbanho" e levou ao palco, de forma inédita, as tiras desta série.
Tratou-se de uma curta actuação, pois a ideia foi utilizar a rábula como aperitivo para a apresentação pública do livro "O Combóio das Cinco", de Luís Afonso, que ocorreu logo a seguir. 
Na rábula foram recriadas três cenas habituais na série: o campo (com personagens como o pastor, o "compadri" e as ovelhas), a aldeia (o padre, o recenseador, o sobrinho do pastor) e a taberna (a jornalista, o taberneiro, o árabe).
O grupo pretende apresentar esta peça num formato mais longo, e já mais trabalhada, dentro de muito pouco tempo, na cidade de Moura. Nós cá estaremos para vos dar conta de tudo.
Por ora, deixamos um forte abraço ao Grupo "Al-Manijah" pelo trabalho extraordinário que tem desenvolvido ao longo dos últimos anos e, em especial, por esta simpática homenagem ao nosso "RIbanho".

Cena no campo, com o "Compadri", o pastor e o cão "Farrusco".
Cena na aldeia, com o recenseador a ser rodeado pelo rebanho de ovelhas
Cena na taberna, com a jornalista e o taberneiro a darem conversa ao "Compadri" e ao pastor.
Actores do Grupo de Teatro "Al-Manijah"com o encenador Rui Pinto (à direita, na imagem)
Fotos: Orlando Fialho (CM Moura)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

TIRA 027

Tira RIbanho (15.08.03)
O tema do aumento de temperatura foi dos mais explorados pelo Luís Afonso. Esta tira é um bom exemplo disso.
A tira 027 tem, também, uma característica que faz dela um caso à parte: na última vinheta, quem remata a conversa é o "compadri" e não o pastor. Terei sido eu a interpretar mal o texto que o Luís Afonso enviou ou terá sido o próprio Luís a "divagar" um pouco no esquema habitual? Uma boa pergunta à qual não conseguimos responder uma vez que o texto perdeu-se, algures, numa caixa de correio electrónico que, há muito, deixou de estar funcional...

sábado, 20 de abril de 2013

TIRA 26

Tira 26 (08.08.2003)
Na tira 26 o Turismo foi o tema escolhido. Este era um dos temas que o Luís, volta não volta, resolvia trazer para o "RIbanho", talvez porque era um dos que mais possibilidades dava de introduzir novos personagens na série. Além de que as diferenças culturais entre os alentejanos e os turistas (umas vezes lisboetas outras vezes estrangeiros) davam também "pano para mangas"... 
Nota: por motivos de força maior (inauguração do Salão Moura BD) não foi possível postar esta mensagem na sexta-feira, como é costume neste blogue.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

"RIBANHO" EM FORMATO BD (1) - "RIBANHO" NO AMADORA BD 2011

Em 2011, o Amadora BD teve como tema "O Humor". O comissário da exposição central foi Osvaldo de Sousa que, como já se esperava, fez um excelente trabalho.
Na exposição havia uma retrospectiva sobre o Humor em Portugal (e a primeira Associação de Humoristas) e, no final, o Osvaldo convidou alguns autores a desenvolverem uma banda desenhada sobre o tema. Eu e o Luís fomos convidados a participar em equipa. 
Foi muito interessante porque nos permitiu trabalhar a série "RIbanho" (pensada desde o início para ser desenvolvida em formato de tiras) sob a forma de uma prancha. 
No meu caso concreto, e dado que o prazo para entregar o material era curto, optei por utilizar a aguarela (em vez do Photoshop) para colorir o desenho, o que me deu oportunidade de recordar os tempos em que fazia cartunes no "Diário do Alentejo" com esta técnica. 
Uma última curiosidade: as vinhetas foram recortadas individualmente e coladas numa cartolina preta.

Segue-se o texto, exactamente como o Luís me enviou, e a prancha final. De notar que a última fala foi alterada pelo Luís. Por vezes acontecia isso, durante o processo de criação das tiras: o Luís enviava-me o texto uns dois ou três dias antes do fecho do jornal e, depois de estar umas horas sem o ler ou pensar mais nele, tornava a lê-lo e descobria algum pormenor que entendia corrigir. Telefonava-me e, como eu normalmente enviava o desenho no limite do prazo, ainda tínhamos tempo de emendar alguma coisa...



RIbanho (BD - Associação de Humoristas)


Pastor, Compadre e outros homens num cenário qualquer (pode ser no banco da rua, na taberna, etc)


Dá para fazeres 4 tiras numa prancha (o nosso livro tem 3 tiras por página mas é quadrado). As 15 falas, pelas minhas contas, cabem perfeitamente.


Compadre- sabem o que é que a gente devia fazer? uma associação de contadores de anedotas.


Homem 1- para quê?

Compadre- para contarmos anedotas com organização.

Homem 2- que tipo de anedotas é que a gente conta nessa associação?

Compadre- ora, as anedotas que sabemos. de alentejanos, claro.

Homem alto- eu só gosto de contar anedotas de baixo-alentejanos.

Homem baixo- pois eu só acho graça às anedotas de alto-alentejanos.

Compadre- bolas, ainda não temos a associação e já há divisões?!

Homem 1- então constituímos duas associações de anedotas. uma de baixo-alentejanos e outra de alto-alentejanos.

Homem 2- e, já agora, também uma de alentejanos do litoral.

Homem 1- e que tal uma associação de jovens contadores de anedotas?

Homem 2- nesse caso tinham de ser várias. jovens contadores de anedotas de baixo-alentejanos, de alto-alentejanos e de alentejanos do litoral.

Homem 1- se calhar temos de criar uma federação para englobar essas associações todas.

Mulher (que ia passar e ouviu a conversa)- então e as mulheres contadoras de anedotas, hã?

Pastor (a rir para o leitor)- isto já parece uma anedota..


RIbanho realizado para o Amadora BD (Outubro de 2011)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

GALERIA DE PERSONAGENS (2) - O "COMPADRI"


O Compadre ("Compadri", na tradução para alentejano do Carlos) surgiu por acaso, por ser necessária uma figura humana (salvo erro, na altura a conduzir uma carroça com um burro). Acabou por ficar quase sempre por ali, junto ao Pastor, iniciando as conversas ao ler o jornal, por exemplo, ou mesmo introduzindo um tema a despropósito.
Luís Afonso


O "Compadri" era talvez o melhor amigo do Pastor mas, ao mesmo tempo, era também a antítese deste. Enquanto o Pastor era um homem aparentemente analfabeto (nunca se via a pegar no jornal, por exemplo), o "Compadri" era mais culto, lia o jornal e comentava as notícias. No entanto, a maior parte das vezes ficava completamente "desarmado" perante a resposta do amigo.
Até fisicamente eram o contrário um do outro: o Pastor era barrigudo, usava boina e fumava constantemente enquanto o "Compadri" era magro, usava chapéu e mordiscava uma palha (ao jeito do Lucky Luke mais recente), o que faz supor que, provavelmente, estaria bem informado acerca dos malefícios do tabaco.
Carlos Rico