"Não posso continuar a viver aqui?" Raio do pastor, sempre cheio de caprichos! Mas que mal é que fará o pessoal emigrar durante uns bons anitos? É que não estou mesmo a ver qual é o problema...
A lógica a que o pastor se refere deve ser a mesma que explica porque é que um país, onde os trabalhadores auferem cada vez ordenados mais baixos e menos regalias, tem também políticos e administradores de empresas tão bem pagos...
O "compadri" (cujo aparecimento ocorreu na tira 003) tinha, como função principal, a introdução das piadas, que depois o pastor rematava, de maneira mais ou menos sarcástica, na última vinheta. Essa função foi também interpretada por outros personagens (a mulher do pastor, os jornalistas, os turistas...) e, em alguns casos, através de um pequeno transistor, de forma a que a série não se tornasse repetitiva. Esta tira é um bom exemplo disso.
Em 2004 era Presidente da República Portuguesa o Dr. Jorge Sampaio que, numa frase sintomática, disse que "em Lisboa as pessoas não se apercebem dos problemas do Alentejo". A sensação que dá é que, hoje em dia, Lisboa continua a não ter a completa noção dos problemas do Alentejo... e do resto do país. Para mal dos nossos pecados...
As espectativas criadas em torno do Aeroporto de Beja e do IP8 deram origem a esta tira quando, afinal, o pastor não tinha grandes razões para alarme. Dez anos depois, as coisas continuam quase tão movimentadas como antes. Tenhamos esperança em melhores dias...
- Sai uma "italiana" e um "mil folhas"! Imaginam, na taberna, dois alentejanos a pedir isto? Para mim, este é, sem dúvida, um dos textos mais imaginativos da série.